Pisar no palco:
É como despir-se em praça pública.
É um giro pelo mundo.
É vomitar todas as emoções acumuladas.
É nascer novamente.
É agradecer pela oportunidade de ser feliz por alguns minutos.
Felicidade de poder ser livre.
Liberdade de ser o que é.
É vida.
É arte de si mesmo.
É um sopro
que cura.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Tempestade
Trovão que aquieta
Ventania que arrepia
Clarão que ergue a cabeça
Chuva que fecha os olhos
Eu gosto de ouvir a tempestade
que se aproxima
que se arma
que se conduz
É um espetáculo:
Soam-se as trovoadas
Abrem-se as cortinas
Apagam-se as luzes de serviço
e acendem-se os raios
os artistas pingam no palco
Espectadores que somos
aguardamos o início
vivemos o durante
aplaudimos o fim
Apreciamos o espetáculo
pois sabemos do porvir.
Pode dar em lua
Pode dar em sol
Esperamos um novo espetáculo
que aguce nossos sentidos
serene nossas emoções
e nos desperte o criar
Ventania que arrepia
Clarão que ergue a cabeça
Chuva que fecha os olhos
Eu gosto de ouvir a tempestade
que se aproxima
que se arma
que se conduz
É um espetáculo:
Soam-se as trovoadas
Abrem-se as cortinas
Apagam-se as luzes de serviço
e acendem-se os raios
os artistas pingam no palco
Espectadores que somos
aguardamos o início
vivemos o durante
aplaudimos o fim
Apreciamos o espetáculo
pois sabemos do porvir.
Pode dar em lua
Pode dar em sol
Esperamos um novo espetáculo
que aguce nossos sentidos
serene nossas emoções
e nos desperte o criar
terça-feira, 24 de novembro de 2009
faz de conta que é clarice
"faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta..."
faz de conta que um dia foi e hoje não mais é, faz de conta que hoje é outra é outro é um sonho real que termina de outra maneira que inicia diferente de ontem, faz de conta que a lua hoje saia mais redonda que um dia já foi, faz de conta que ela não mais sonhe nada que diga algo que não entenda e que não possa jamais acontecer hoje, faz de conta que ela não se incomode com mais nada que não seja real ou que mesmo que seja real não seja motivo de incômodo de vômito seco que não sai...
faz de conta que um dia foi e hoje não mais é, faz de conta que hoje é outra é outro é um sonho real que termina de outra maneira que inicia diferente de ontem, faz de conta que a lua hoje saia mais redonda que um dia já foi, faz de conta que ela não mais sonhe nada que diga algo que não entenda e que não possa jamais acontecer hoje, faz de conta que ela não se incomode com mais nada que não seja real ou que mesmo que seja real não seja motivo de incômodo de vômito seco que não sai...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Ventania
Tudo venta, tudo sopra.
Procuro um lugar seco, vazio
um lugar de quietude.
Agarro-me nos sorrisos espontâneos,
que nascem de uma inocência almejada,
de um futuro incerto.
Sento-me num balanço,
seguro as correntes e sopro,
e vento e aquieto-me
Abro os braços e a janela,
o cabelo voa e tudo passa,
também se vai o sorriso embora.
E agora?
Procuro um lugar seco, vazio
um lugar de quietude.
Agarro-me nos sorrisos espontâneos,
que nascem de uma inocência almejada,
de um futuro incerto.
Sento-me num balanço,
seguro as correntes e sopro,
e vento e aquieto-me
Abro os braços e a janela,
o cabelo voa e tudo passa,
também se vai o sorriso embora.
E agora?
terça-feira, 8 de setembro de 2009
"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água."
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água."
Álvaro de Campos
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