Uma cadeira de balanço movimenta-se gentilmente ao sabor da brisa que corta a varanda.
O jornal aguarda ser recolhido no batente da porta, deixando algumas folhas remexerem-se.
As cartas acumulam-se debaixo do tapete. As notícias estão ali, frescas, mas não serão lidas.
A madeira do chão está corroída, com frestas, afastadas umas das outras.
Uma abelha suga a mesa açucarada pelo suco derramado.
A poeira acumula-se no canto, formando um pequeno redemoinho de cabelos e sujeira.
O capim irregular acaricia a mureta em movimentos esparçados.
A porta entreaberta manifesta-se, batendo hora ou outra impulsionada pelo vento.
As cores perdem saturação e aproximam-se de um preto e branco acizentado.
Uma goteira na ponta do telhado, poça de água.
Um miado de dentro.
Um pio de fora.
Um ranger de baixo.
Um estrondo de cima.
Onde vivem?
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Peculiaridades
A vida pode ser tão divertida.
fazer bonequinho com a mão e o ponto escuro do teto
ver rostos nas manchas da madeira do armário
imaginar formas para as dobras do lençol
conversar consigo mesma em diferentes línguas
pegar as coisas com o dedo do pé
ter um cachorro imaginário
olhar o mundo de cabeça para baixo
fazer careta no espelho
ver filmes com legenda em coreano
imaginar-se num filme
conversar com as plantas
pegar chuva na praia
ter sono nos transportes públicos
olhar-se de cima
fazer bonequinho com a mão e o ponto escuro do teto
ver rostos nas manchas da madeira do armário
imaginar formas para as dobras do lençol
conversar consigo mesma em diferentes línguas
pegar as coisas com o dedo do pé
ter um cachorro imaginário
olhar o mundo de cabeça para baixo
fazer careta no espelho
ver filmes com legenda em coreano
imaginar-se num filme
conversar com as plantas
pegar chuva na praia
ter sono nos transportes públicos
olhar-se de cima
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
asas
Sou saudade pura
saudade de todos ao mesmo tempo
de um tempo que nao me lembro,
mas sinto.
Sou um sorriso timido,
uma lagrima que reflete
o mundo la fora
e o daqui de dentro
Sou um pouco ca
e um pouco la.
Uma gota que nao cai
o orvalho que nao seca.
Sou uma manha fria de inverno
e uma tarde de verao.
Um fruta doce
e um pouco de cica.
Sou um ser girante,
peregrino,
distante,
mas presente.
Um dia alguem me falou
que longe eh um lugar que nao existe.
Sera?
Queria aprender a voar.
saudade de todos ao mesmo tempo
de um tempo que nao me lembro,
mas sinto.
Sou um sorriso timido,
uma lagrima que reflete
o mundo la fora
e o daqui de dentro
Sou um pouco ca
e um pouco la.
Uma gota que nao cai
o orvalho que nao seca.
Sou uma manha fria de inverno
e uma tarde de verao.
Um fruta doce
e um pouco de cica.
Sou um ser girante,
peregrino,
distante,
mas presente.
Um dia alguem me falou
que longe eh um lugar que nao existe.
Sera?
Queria aprender a voar.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
à flor da pele
jorram-se borboletas
o estômago dança
o intestino samba
é música orgânica
a fome viaja
a boca tira férias
o esôfago faz greve
os dentes sempre impecáveis
as mãos secas não param quietas
os olhos piscam inconscientes
a respiração é curta e rápida
um suspiro desentendido
dedos dos pés calorentos
pimpolhos
nervosos
friorentos
cabelo ao vento
despenteado
amarrado
enrolado no topo do mundo
listas e mais listas
malas engraçadas
check-up
check-in
tiques
taques
é hora
já volto
o estômago dança
o intestino samba
é música orgânica
a fome viaja
a boca tira férias
o esôfago faz greve
os dentes sempre impecáveis
as mãos secas não param quietas
os olhos piscam inconscientes
a respiração é curta e rápida
um suspiro desentendido
dedos dos pés calorentos
pimpolhos
nervosos
friorentos
cabelo ao vento
despenteado
amarrado
enrolado no topo do mundo
listas e mais listas
malas engraçadas
check-up
check-in
tiques
taques
é hora
já volto
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Terceiro sinal
Pisar no palco:
É como despir-se em praça pública.
É um giro pelo mundo.
É vomitar todas as emoções acumuladas.
É nascer novamente.
É agradecer pela oportunidade de ser feliz por alguns minutos.
Felicidade de poder ser livre.
Liberdade de ser o que é.
É vida.
É arte de si mesmo.
É um sopro
que cura.
É como despir-se em praça pública.
É um giro pelo mundo.
É vomitar todas as emoções acumuladas.
É nascer novamente.
É agradecer pela oportunidade de ser feliz por alguns minutos.
Felicidade de poder ser livre.
Liberdade de ser o que é.
É vida.
É arte de si mesmo.
É um sopro
que cura.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Tempestade
Trovão que aquieta
Ventania que arrepia
Clarão que ergue a cabeça
Chuva que fecha os olhos
Eu gosto de ouvir a tempestade
que se aproxima
que se arma
que se conduz
É um espetáculo:
Soam-se as trovoadas
Abrem-se as cortinas
Apagam-se as luzes de serviço
e acendem-se os raios
os artistas pingam no palco
Espectadores que somos
aguardamos o início
vivemos o durante
aplaudimos o fim
Apreciamos o espetáculo
pois sabemos do porvir.
Pode dar em lua
Pode dar em sol
Esperamos um novo espetáculo
que aguce nossos sentidos
serene nossas emoções
e nos desperte o criar
Ventania que arrepia
Clarão que ergue a cabeça
Chuva que fecha os olhos
Eu gosto de ouvir a tempestade
que se aproxima
que se arma
que se conduz
É um espetáculo:
Soam-se as trovoadas
Abrem-se as cortinas
Apagam-se as luzes de serviço
e acendem-se os raios
os artistas pingam no palco
Espectadores que somos
aguardamos o início
vivemos o durante
aplaudimos o fim
Apreciamos o espetáculo
pois sabemos do porvir.
Pode dar em lua
Pode dar em sol
Esperamos um novo espetáculo
que aguce nossos sentidos
serene nossas emoções
e nos desperte o criar
terça-feira, 24 de novembro de 2009
faz de conta que é clarice
"faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta..."
faz de conta que um dia foi e hoje não mais é, faz de conta que hoje é outra é outro é um sonho real que termina de outra maneira que inicia diferente de ontem, faz de conta que a lua hoje saia mais redonda que um dia já foi, faz de conta que ela não mais sonhe nada que diga algo que não entenda e que não possa jamais acontecer hoje, faz de conta que ela não se incomode com mais nada que não seja real ou que mesmo que seja real não seja motivo de incômodo de vômito seco que não sai...
faz de conta que um dia foi e hoje não mais é, faz de conta que hoje é outra é outro é um sonho real que termina de outra maneira que inicia diferente de ontem, faz de conta que a lua hoje saia mais redonda que um dia já foi, faz de conta que ela não mais sonhe nada que diga algo que não entenda e que não possa jamais acontecer hoje, faz de conta que ela não se incomode com mais nada que não seja real ou que mesmo que seja real não seja motivo de incômodo de vômito seco que não sai...
Assinar:
Postagens (Atom)