Um furacão passou pela estrada
espalhou sementes recém semeadas
deslocou árvores já enraizadas
transportou mentes acomodadas
Peguei carona nesta corrente de ar
e segui caminho diferente
inicio jornada pertinente
é a gênese de uma nova semente
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sem sinal
um passo e meia volta
dois passos e um pra trás
indo e vindo
volta, revolta
estagnação
o que muda na curva?
será o retorno?
próxima a direita,
tempo indeterminado
abre-se o guarda-chuva
guarda-se do tempo corrido
do que se esvai nas horas a fio
no fio que tece o vazio
olha quem vem lá!
é o destino vadio
ergue-se no alto
atrás dos montes não se vê
um caminho incerto
olhos lince
ouvidos mudos
boca surda
dois passos e um pra trás
indo e vindo
volta, revolta
estagnação
o que muda na curva?
será o retorno?
próxima a direita,
tempo indeterminado
abre-se o guarda-chuva
guarda-se do tempo corrido
do que se esvai nas horas a fio
no fio que tece o vazio
olha quem vem lá!
é o destino vadio
ergue-se no alto
atrás dos montes não se vê
um caminho incerto
olhos lince
ouvidos mudos
boca surda
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Ausente
Viver o agora
Sem ansiar o amanhã
Não é não sonhar
É ser sereno
Fazer planos para hoje
E acalmar a semana que vem
Não é ser preguiçoso
É não ser ansioso
Saborear cada momento
Usar lente de aumento
Não é ignorar o redor
É focar-se em precisão
O amanhã parece tentador
Mas só vem depois de hoje
Não tem como pular
São lacunas a serem preenchidas
Foi-se o tempo das cartas
O agora já vira segundos atrás
E um bilhete pode não ser lido
Devorado pela fome do mais
Esperamos sempre por respostas
Acostumamo-nos com o instantâneo
Mas não observamos a corrida do tempo
Não vivemos presente
Ausência de presença
Ausência de paciência
Ausência de intensidade
Ausência do viver.
Sem ansiar o amanhã
Não é não sonhar
É ser sereno
Fazer planos para hoje
E acalmar a semana que vem
Não é ser preguiçoso
É não ser ansioso
Saborear cada momento
Usar lente de aumento
Não é ignorar o redor
É focar-se em precisão
O amanhã parece tentador
Mas só vem depois de hoje
Não tem como pular
São lacunas a serem preenchidas
Foi-se o tempo das cartas
O agora já vira segundos atrás
E um bilhete pode não ser lido
Devorado pela fome do mais
Esperamos sempre por respostas
Acostumamo-nos com o instantâneo
Mas não observamos a corrida do tempo
Não vivemos presente
Ausência de presença
Ausência de paciência
Ausência de intensidade
Ausência do viver.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Espiral
quando tudo estava inerte
quando tudo parecia fundir
era tempo de mudança
de um momento pra refletir
pensar nas coisas fixas
pensar em tudo estático
são acomodações vazias
são equilíbrios plásticos
acostuma-se a idéia
em permanecer-se em si mesma
em não ser reinventada
em seguir-se de um ponto
que ponto será esse?
será que é varrido com as enchentes?
será que se recria reticente?
ou dorme de repente?
se esquece do vazio
que ansia por encher-se
procura cômodos quentes
procura um nome a pertencer
são anônimas as contagens
regressivas para o instante
que será que vem vindo?
será grande ou pequeno?
será agora o ocorrido?
será preparo da mudança?
será um risco no vazio?
será pintura em tela fina?
aquarela ou tinta guache
cera ou pastel
numa cortina de seda
ou no estofado cor de mel
entranhadas nas costuras
são lembranças misturadas
repartidas nas almofadas
afundadas no colchão
encarar diferentes épocas
preparar-se para o porvir
ter certeza e segurança
de que o que virá: será
quando tudo parecia fundir
era tempo de mudança
de um momento pra refletir
pensar nas coisas fixas
pensar em tudo estático
são acomodações vazias
são equilíbrios plásticos
acostuma-se a idéia
em permanecer-se em si mesma
em não ser reinventada
em seguir-se de um ponto
que ponto será esse?
será que é varrido com as enchentes?
será que se recria reticente?
ou dorme de repente?
se esquece do vazio
que ansia por encher-se
procura cômodos quentes
procura um nome a pertencer
são anônimas as contagens
regressivas para o instante
que será que vem vindo?
será grande ou pequeno?
será agora o ocorrido?
será preparo da mudança?
será um risco no vazio?
será pintura em tela fina?
aquarela ou tinta guache
cera ou pastel
numa cortina de seda
ou no estofado cor de mel
entranhadas nas costuras
são lembranças misturadas
repartidas nas almofadas
afundadas no colchão
encarar diferentes épocas
preparar-se para o porvir
ter certeza e segurança
de que o que virá: será
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domingo, 5 de setembro de 2010
Cantos
O quando, que não onde,
chegou para ficar.
Entregou suas chaves,
procurou um canto para sentar.
Olhou por volta,
desconfiado, incomodado.
Os dias que passaram
viraram rotina,
distantes, embrulhados em pó.
Na quietude da noite,
na goteira pingando,
cada canto preenche-se de profundo suspiro.
Elevam-se para o espaço,
desencontram-se no ensejo de esbarrarem-se.
As notas suspensas no ar
de um dia que nunca foi
E quando será?
Onde foi que esqueci de estar?
Dentro de cada canto
há um choro, um pranto
que almeja, em coro, um canto
que reuna de tanto em tanto
aquele perdido acalanto.
As estrelas do teto
querem tanto brilhar
iluminar os sorrisos de outrora
Reinventar histórias do nunca
Lembrar de um tempo de criança
do açúcar no suco da mesa
do prato espatifado no chão.
Eram, e será que sim?
Será memória inventada,
será desejo partido?
Será tamanho egoísmo?
Será o umbigo maior?
ou são cantos e quandos
que esperam se unir,
formar uma sala,
um espaço comum?
Não olvide do quando agora,
o quando que será amanhã.
O quando de ontem ficou,
permaneceu,
já passou.
Senhores de cada um,
compartilhando um mesmo quando,
um mesmo onde.
É hora de compartilhar,
de estar,
de sonhar junto.
Cada qual no seu canto,
cada canto em seu lugar,
mas em torno de um mesmo objetivo:
unir vontades,
desejos,
construindo o conviver.
chegou para ficar.
Entregou suas chaves,
procurou um canto para sentar.
Olhou por volta,
desconfiado, incomodado.
Os dias que passaram
viraram rotina,
distantes, embrulhados em pó.
Na quietude da noite,
na goteira pingando,
cada canto preenche-se de profundo suspiro.
Elevam-se para o espaço,
desencontram-se no ensejo de esbarrarem-se.
As notas suspensas no ar
de um dia que nunca foi
E quando será?
Onde foi que esqueci de estar?
Dentro de cada canto
há um choro, um pranto
que almeja, em coro, um canto
que reuna de tanto em tanto
aquele perdido acalanto.
As estrelas do teto
querem tanto brilhar
iluminar os sorrisos de outrora
Reinventar histórias do nunca
Lembrar de um tempo de criança
do açúcar no suco da mesa
do prato espatifado no chão.
Eram, e será que sim?
Será memória inventada,
será desejo partido?
Será tamanho egoísmo?
Será o umbigo maior?
ou são cantos e quandos
que esperam se unir,
formar uma sala,
um espaço comum?
Não olvide do quando agora,
o quando que será amanhã.
O quando de ontem ficou,
permaneceu,
já passou.
Senhores de cada um,
compartilhando um mesmo quando,
um mesmo onde.
É hora de compartilhar,
de estar,
de sonhar junto.
Cada qual no seu canto,
cada canto em seu lugar,
mas em torno de um mesmo objetivo:
unir vontades,
desejos,
construindo o conviver.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Édificil
A moça torta na janela esguia-se por espiar
Era tonta, era feia
era um bife de panela
refrito na manhã de segunda-feira
O rapaz do andar de cima ria-se por só rir
Era jovem, era alto
era um poeta do acaso
escrevia seus poemas sentado em seu vaso
O porteiro que varria o prédio esqueceu-se do remédio
Era velho, era cansado
era antigo no pedaço
fazia bodas no trabalho
A menininha chupava bala esperando o elevador
Era baixa, era irritante
era meio metro de gente
estalava a língua e cantava desafinado
Nas escadas, o encontro
Nariz torto, olhar pra baixo
contas vencidas, pingos de roupa lavada
cinzas de cigarro, livro de reclamações
Onde o síndico não tem voz
mas é chamado a todo instante
Onde as paredes escutam tudo
um trabalho desgastante
Vende-se, aluga-se,
um prato cheio de histórias,
que escorrem pelos antigos encanamentos
desembocam onde tudo sempre acaba
Era tonta, era feia
era um bife de panela
refrito na manhã de segunda-feira
O rapaz do andar de cima ria-se por só rir
Era jovem, era alto
era um poeta do acaso
escrevia seus poemas sentado em seu vaso
O porteiro que varria o prédio esqueceu-se do remédio
Era velho, era cansado
era antigo no pedaço
fazia bodas no trabalho
A menininha chupava bala esperando o elevador
Era baixa, era irritante
era meio metro de gente
estalava a língua e cantava desafinado
Nas escadas, o encontro
Nariz torto, olhar pra baixo
contas vencidas, pingos de roupa lavada
cinzas de cigarro, livro de reclamações
Onde o síndico não tem voz
mas é chamado a todo instante
Onde as paredes escutam tudo
um trabalho desgastante
Vende-se, aluga-se,
um prato cheio de histórias,
que escorrem pelos antigos encanamentos
desembocam onde tudo sempre acaba
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