quando tudo estava inerte
quando tudo parecia fundir
era tempo de mudança
de um momento pra refletir
pensar nas coisas fixas
pensar em tudo estático
são acomodações vazias
são equilíbrios plásticos
acostuma-se a idéia
em permanecer-se em si mesma
em não ser reinventada
em seguir-se de um ponto
que ponto será esse?
será que é varrido com as enchentes?
será que se recria reticente?
ou dorme de repente?
se esquece do vazio
que ansia por encher-se
procura cômodos quentes
procura um nome a pertencer
são anônimas as contagens
regressivas para o instante
que será que vem vindo?
será grande ou pequeno?
será agora o ocorrido?
será preparo da mudança?
será um risco no vazio?
será pintura em tela fina?
aquarela ou tinta guache
cera ou pastel
numa cortina de seda
ou no estofado cor de mel
entranhadas nas costuras
são lembranças misturadas
repartidas nas almofadas
afundadas no colchão
encarar diferentes épocas
preparar-se para o porvir
ter certeza e segurança
de que o que virá: será
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
buraco vazio
Semente que germina
e dali a pouco despenca, imatura
morre na praia
e deixa a terra toda dolorida
e as águas esbravejadas.
Vira pó, vira pedra,
vira gota, vira cinza.
Revira-se e revolta-se
Reinicia-se um ciclo
que no mais tardar
frutificará
e dali a pouco despenca, imatura
morre na praia
e deixa a terra toda dolorida
e as águas esbravejadas.
Vira pó, vira pedra,
vira gota, vira cinza.
Revira-se e revolta-se
Reinicia-se um ciclo
que no mais tardar
frutificará
domingo, 5 de setembro de 2010
Cantos
O quando, que não onde,
chegou para ficar.
Entregou suas chaves,
procurou um canto para sentar.
Olhou por volta,
desconfiado, incomodado.
Os dias que passaram
viraram rotina,
distantes, embrulhados em pó.
Na quietude da noite,
na goteira pingando,
cada canto preenche-se de profundo suspiro.
Elevam-se para o espaço,
desencontram-se no ensejo de esbarrarem-se.
As notas suspensas no ar
de um dia que nunca foi
E quando será?
Onde foi que esqueci de estar?
Dentro de cada canto
há um choro, um pranto
que almeja, em coro, um canto
que reuna de tanto em tanto
aquele perdido acalanto.
As estrelas do teto
querem tanto brilhar
iluminar os sorrisos de outrora
Reinventar histórias do nunca
Lembrar de um tempo de criança
do açúcar no suco da mesa
do prato espatifado no chão.
Eram, e será que sim?
Será memória inventada,
será desejo partido?
Será tamanho egoísmo?
Será o umbigo maior?
ou são cantos e quandos
que esperam se unir,
formar uma sala,
um espaço comum?
Não olvide do quando agora,
o quando que será amanhã.
O quando de ontem ficou,
permaneceu,
já passou.
Senhores de cada um,
compartilhando um mesmo quando,
um mesmo onde.
É hora de compartilhar,
de estar,
de sonhar junto.
Cada qual no seu canto,
cada canto em seu lugar,
mas em torno de um mesmo objetivo:
unir vontades,
desejos,
construindo o conviver.
chegou para ficar.
Entregou suas chaves,
procurou um canto para sentar.
Olhou por volta,
desconfiado, incomodado.
Os dias que passaram
viraram rotina,
distantes, embrulhados em pó.
Na quietude da noite,
na goteira pingando,
cada canto preenche-se de profundo suspiro.
Elevam-se para o espaço,
desencontram-se no ensejo de esbarrarem-se.
As notas suspensas no ar
de um dia que nunca foi
E quando será?
Onde foi que esqueci de estar?
Dentro de cada canto
há um choro, um pranto
que almeja, em coro, um canto
que reuna de tanto em tanto
aquele perdido acalanto.
As estrelas do teto
querem tanto brilhar
iluminar os sorrisos de outrora
Reinventar histórias do nunca
Lembrar de um tempo de criança
do açúcar no suco da mesa
do prato espatifado no chão.
Eram, e será que sim?
Será memória inventada,
será desejo partido?
Será tamanho egoísmo?
Será o umbigo maior?
ou são cantos e quandos
que esperam se unir,
formar uma sala,
um espaço comum?
Não olvide do quando agora,
o quando que será amanhã.
O quando de ontem ficou,
permaneceu,
já passou.
Senhores de cada um,
compartilhando um mesmo quando,
um mesmo onde.
É hora de compartilhar,
de estar,
de sonhar junto.
Cada qual no seu canto,
cada canto em seu lugar,
mas em torno de um mesmo objetivo:
unir vontades,
desejos,
construindo o conviver.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
barbante
Pertencer a algum lugar
despencar de outro
aterrisar sentado
deitar e ninar
sonhar
sorrir
será?
Abrir as asas e partir
será o mesmo que sair
e dizer que não voltarei
arrumar as malas
viajarei
Ficar e permanecer
não mudar
não ousar
mas querer
tropeçar
no trilho que leva
a algum lugar
Lá e cá
mais lá
do que cá
Mais cá
querendo lá
sabendo do cá
com medo do lá
Este amanhã
que não tarda a chegar
é um dia plantado
ainda não colhido
O que será de seu fim?
será que amanhece enfim?
Fim que não é fim
é um ponto sobre ponto
um travessão do diálogo
uma continuação
uma construção
Cada um imagina a seu bom grado
e assim,
trocado por trocado,
acumulam-se os contos:
A cada conto
aumenta-se um ponto
Telefone sem fio
que nos liga
ao caminho
despencar de outro
aterrisar sentado
deitar e ninar
sonhar
sorrir
será?
Abrir as asas e partir
será o mesmo que sair
e dizer que não voltarei
arrumar as malas
viajarei
Ficar e permanecer
não mudar
não ousar
mas querer
tropeçar
no trilho que leva
a algum lugar
Lá e cá
mais lá
do que cá
Mais cá
querendo lá
sabendo do cá
com medo do lá
Este amanhã
que não tarda a chegar
é um dia plantado
ainda não colhido
O que será de seu fim?
será que amanhece enfim?
Fim que não é fim
é um ponto sobre ponto
um travessão do diálogo
uma continuação
uma construção
Cada um imagina a seu bom grado
e assim,
trocado por trocado,
acumulam-se os contos:
A cada conto
aumenta-se um ponto
Telefone sem fio
que nos liga
ao caminho
domingo, 11 de julho de 2010
Quando ninguém vê
De repente virei e não mais vi
era tudo branco na escuridão
era tudo som naquele infinito silêncio
era tudo chão por onde voava
era tudo e era nada
Era um sonho?
era tudo branco na escuridão
era tudo som naquele infinito silêncio
era tudo chão por onde voava
era tudo e era nada
Era um sonho?
terça-feira, 29 de junho de 2010
Édificil
A moça torta na janela esguia-se por espiar
Era tonta, era feia
era um bife de panela
refrito na manhã de segunda-feira
O rapaz do andar de cima ria-se por só rir
Era jovem, era alto
era um poeta do acaso
escrevia seus poemas sentado em seu vaso
O porteiro que varria o prédio esqueceu-se do remédio
Era velho, era cansado
era antigo no pedaço
fazia bodas no trabalho
A menininha chupava bala esperando o elevador
Era baixa, era irritante
era meio metro de gente
estalava a língua e cantava desafinado
Nas escadas, o encontro
Nariz torto, olhar pra baixo
contas vencidas, pingos de roupa lavada
cinzas de cigarro, livro de reclamações
Onde o síndico não tem voz
mas é chamado a todo instante
Onde as paredes escutam tudo
um trabalho desgastante
Vende-se, aluga-se,
um prato cheio de histórias,
que escorrem pelos antigos encanamentos
desembocam onde tudo sempre acaba
Era tonta, era feia
era um bife de panela
refrito na manhã de segunda-feira
O rapaz do andar de cima ria-se por só rir
Era jovem, era alto
era um poeta do acaso
escrevia seus poemas sentado em seu vaso
O porteiro que varria o prédio esqueceu-se do remédio
Era velho, era cansado
era antigo no pedaço
fazia bodas no trabalho
A menininha chupava bala esperando o elevador
Era baixa, era irritante
era meio metro de gente
estalava a língua e cantava desafinado
Nas escadas, o encontro
Nariz torto, olhar pra baixo
contas vencidas, pingos de roupa lavada
cinzas de cigarro, livro de reclamações
Onde o síndico não tem voz
mas é chamado a todo instante
Onde as paredes escutam tudo
um trabalho desgastante
Vende-se, aluga-se,
um prato cheio de histórias,
que escorrem pelos antigos encanamentos
desembocam onde tudo sempre acaba
segunda-feira, 14 de junho de 2010
eu estou voando Jack
Tudo começou quando eu estava na escola de fadas até eu crescer e ser uma fada de grande grandeza e tive uma filha através de magia branca e hoje eu estava viajando num navio o tal Titanic e tem um rapaz muito conhecdio como "Leonardo de Kaprio" sei lá mas acho que vai dá alguma coisa Mas, não vai dá não porque ele tem uma namorada que é a tal Kate Wichen.
Bom eu não sei o que ela é mais me faz sentir alguma coisa dentro de mim.
Escritos de infância há não sei quantos anos atrás
Bom eu não sei o que ela é mais me faz sentir alguma coisa dentro de mim.
Escritos de infância há não sei quantos anos atrás
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